sábado, julho 01, 2006

TIBI DABO CLAVES REGNI CAELORUM

Oremus pro Pontefice nostro Benedicto.
Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in anima inimicorum ejus.

Oremos pelo nosso Pontífice Bento.
O Senhor o conserve e vivifique, e o faça feliz na terra e não o abandone nas mãos dos inimigos.


Naquele tempo foi Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe, e interrogou os seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias ou algum dos Profetas. Jesus disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Simão Pedro disse: Tu és Cristo, Filho de Deus Vivo. E, respondendo Jesus, disse-lhe: Bem-Aventurado és Simão Bar Jona porque não foi o sangue e a carne que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus. E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na Terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus. (Mateus 16, 13-19)

Nosso Senhor confere neste momento a Pedro o supremo governo da Igreja, como cabeça visível de sua Igreja. Este trecho da Sagrada Escritura, como não poderia ser de maneira diversa, é de uma riqueza impressionante, desde o nome da cidade em que Cristo confere este poder a Pedro, passando pela geografia do local e chegando às próprias palavras de Cristo.

O nome do local é Cesaréia Filipe, cidade, portanto, de César, Imperador Romano. Ora, era muito conveniente que Cristo instituísse Pedro com o Primado na cidade de César, a fim de indicar a sua autoridade suprema na Igreja de Cristo. Geograficamente, há nesse local uma rocha enorme, para deixar claro, inclusive visualmente, o significado das palavras de Nosso Senhor. Pedro é aquela rocha, sobre a qual Cristo edificará a sua Igreja. Uma rocha que pela vontade divina é irremovível e imutável e sobre qual todo homem prudente constrói a sua casa, consoante Mateus 7, 24-29.


Todavia, um tópico interessante e sobre o qual o homem atual, nestes tempos de democracia liberal, perdeu quase totalmente o entendimento é o da entrega das chaves. Diz Nosso Senhor:

Tibi dabo claves regni caelorum. “Eu te darei as chaves do céu. E tudo o que ligares sobre a Terra será ligado também nos Céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus.”

A entrega das chaves para um homem sempre representou a delegação de autoridade. Se um superior entregava ao seu súdito as chaves de uma fortaleza ou de uma cidade, isto significava o poder que ele havia de exercer naquela fortaleza ou cidade. Como diz o Pe. Leonel Franca:

“Possuir as chaves de uma casa, de uma cidade, de um reino é enfeixar nas mãos o direito de abri-los ou fechá-los, de admitir ou rejeitar estranhos, é, numa palavra, ter o poder de dona da casa, de governador da cidade, do soberano do rei.”

Isto era muito comum nos povos orientais, em que se suspendiam as chaves nos ombros como símbolo da autoridade. A figura era, pois, de uso corrente e de fácil e acessível entendimento.

Os judeus tinham uma noção clara do que significava a entrega das chaves, sobretudo por causa de um trecho do Antigo Testamento, que tem paralelo impressionante com o Primado de Pedro:

Depor-te-ei de teu cargo e arrancar-te-ei do teu posto. Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias. Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá; fixá-lo-ei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai. Dele estarão pendentes todos os membros de sua família, os ramos principais e os ramos menores, toda espécie de vasos, desde os copos até os jarros. (Isaías 22, 19-24)

São Francisco de Sales diz que nada poderia encaixar melhor do que esses dois trechos da Sagrada Escritura:

Evangelho Segundo São Mateus
Bem-Aventurado és Simão Bar Jona porque não foi o sangue e a carne que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus.

Isaías
Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias.


Evangelho Sengundo São Mateus
E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na Terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus.

Isaías
Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá;




Nosso Senhor, que é Rei eternamente, deixou como seu Vigário na Terra o Apóstolo Pedro e seus sucessores, os Papas. Ao ascender, entregou as chaves a Pedro. O Papa tem, então, poder de ligar e desligar TUDO aquilo - pessoas e coisas - que pertence à natureza da Igreja. Tem poder de impor leis e obrigações; poder de admoestar e punir. Ele pode excluir do Reino dos Céus aqueles que cometerem certos crimes, uma vez que as chaves desse Reino estão em seu poder. Assim, por exemplo, o Papa pode excomungar alguém que apóie o aborto.

Pedro pode, então, declarar lícito ou ilícito qualquer coisa aqui na terra, que isso será confirmado no próprio Céu, onde passará a ser considerado lícito ou ilícito.

Todavia, obviamente, não tem poder o Papa para acabar com aquilo que é da própria lei natural ou de preceito divino. Assim, o Papa não tem poder jamais para declarar que o aborto é lícito, porque vai contra a lei de Deus, o quinto mandamento: não matar. Ele poderia, por exemplo, tirar a pena de excomunhão, sem que deixe o aborto de constituir-se pecado mortal, que leva a pessoa ao inferno, embora ela não esteja totalmente excluída da Igreja. Enquanto o Papa mantiver a pena de excomunhão, aquele que cometer esse abominável crime estará desligado totalmente da Igreja.

Dessa forma, então, o Romano Pontífice tem um poder que lhe é dado diretamente por Cristo. E todos nós devemos nos submeter ao Papa, que é, verdadeiramente, nosso pai, o doce Cristo na Terra, como diria Santa Catarina de Siena. O Papa é a cabeça visível da Igreja, enquanto Cristo é a sua cabeça invisível. E nós somos os membros da Igreja, necessariamente dependentes da cabeça e a ela obedientes.

Oremos pelo Papa. Deus onipotente e eterno, compadecei-vos do Nosso Pontífice, Vosso Servo, Bento, e dirigi-lo segundo a vossa clemência, pelo caminho da salvação eterna; para que, por vossa graça, deseje o que vos agrada e o cumpra com toda a perfeição. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Rezemos também para a intercessão de São Pedro por aqueles que rejeitam a autoridade do Papa, para que, livres do erro, possam professar a verdadeira fé.

1 Comments:

At terça-feira, 04 julho, 2006, Anonymous Sávio said...

Caro Daniel,

É tão claro o Evangelho, e, a despeito disso, ainda tantos há que o lêem mal, ou por ignorância ou por má fé.

Obrigado pelo pelo texto, límpido e firme.

Sávio

 

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