terça-feira, maio 02, 2006

Obtendo frutos do Rosário



O texto que segue tem por base o livro o Segredo do Rosário de São Luís de Montfort, o Apóstolo de Nossa Senhora.

Onde estiver escrito Rosário pode-se ler Terço, conforme o que cada um reza. Muitos se perguntam a razão pela qual rezam o terço todo o dia ou com freqüência e não têm progresso espiritual. Em geral, porque não seguem as condições para rezá-lo com frutos.

A primeira e indispensável condição para obter frutos no Rosário e em qualquer oração é estar na graça de Deus ou no mínimo ter o desejo verdadeiro de se emendar, se estiver em estado de pecado mortal. Isto porque “o louvor não é belo na boca do pecador” (Eclesiástico 15, 9). Além disso, Nosso Senhor falou: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Marcos 7,6). Devemos exortar a todos para que rezem o Rosário: os justos para que possam perseverar e crescer na graça de Deus; os pecadores para que possam livrar-se da escravidão do pecado. Mas Deus nos proíbe de encorajar um pecador a pensar que Nossa Senhora irá protegê-lo com seu manto, se ele continuar a amar o pecado. Então, essa é a primeira condição: estar na graça de Deus ou ter o propósito de se emendar.

A segunda condição para que se obtenham os frutos do Rosário é a atenção. Não é a extensão da oração que agrada ao Deus Todo-Poderoso, mas a devoção com que se reza. Assim, uma Ave-Maria dita apropriadamente vale mais que 150 (um Rosário) ditas de qualquer maneira. Devemos rezar com toda a concentração porque Cristo ouve mais à voz do coração do que a voz da boca. Como esperar que Deus nos ouça, se nós mesmos não prestamos atenção no que estamos dizendo? As palavras de Jeremias 48, 10 são duras nesse ponto: “Maldito aquele que faz com negligência as obras do Senhor.” Claro que é impossível rezar um Rosário sem distrações involuntárias e é difícil dizer uma Ave-Maria sem que a imaginação incomode. O que se pode fazer, contudo, é não se entregar às distrações voluntariamente e tomar todas as precauções para diminuir as distrações involuntárias e controlar a imaginação.
A fim de diminuir as distrações lembremos sempre de oferecer a dezena em honra do mistério e enquanto oferecemos devemos tentar formar a imagem de Jesus e Maria em relação ao mistério. Uma pausa após o oferecimento do Mistério ajuda sobremaneira. Quando o Rosário é bem rezado ele dá a Jesus e Maria mais glória e é mais meritório para a alma que qualquer outra oração. Mas é também a oração mais difícil de se rezar e também a mais difícil em que perseverar, devido especialmente às distrações que quase inevitavelmente acompanham a constante repetição das mesmas palavras. Quanto às distrações que nos vierem à mente durante o Rosário, devemos tentar arduamente nos livrar delas assim que elas chegam. Lembremos que quanto mais difícil for rezar o Rosário, mais meritório ele será. Aquele que luta fielmente contra as menores distrações mesmo quando diz a menor oração, será também fiel nas coisas grandes. É Nosso Senhor que nos afirma isso: “Aquele que é fiel nas pequenas coisas será também fiel nas coisas grandes” (Lucas 16,10). Portanto, a regra é essa: 1) distrações voluntárias são ofensa a Deus Nosso Senhor; 2) distrações involuntárias devem ser evitadas, mas se elas persistirem mesmo contra o nosso esforço, maior mérito terá o Rosário.

Além disso, para que o Rosário dê frutos é preciso evitar evitar as duas maiores ciladas em que as pessoas que rezam o Rosário caem:
1) o perigo de não pedir por nenhuma graça. Assim, quando for rezá-lo lembre-se sempre de pedir por uma graça especial, como a ajuda de Deus para o cultivo de alguma virtude Cristã ou para superar um de seus pecados.
2) a segunda armadilha consiste em rezar o Rosário não tendo outra intenção a não ser rezá-lo o mais rápido possível. Isto ocorre porque muitos de nós enxergamos o Rosário como um peso, que é ainda maior se nós ainda não o rezamos. É triste ver como a maioria das pessoas reza o Santo Rosário: absurdamente rápido e resmungando, de forma que as palavras não são pronunciadas de forma apropriada. Nem mesmo a pessoa menos importante enxerga um discurso preguiçoso desse tipo como um cumprimento, mas esperamos que Jesus e Maria se alegrem com eles. Não é de se espantar, portanto, que as mais sagradas orações de nossa santa religião não tragam frutos e que depois de dizer milhares de Rosários nós ainda não estejamos melhores que antes. São Luís de Montfort, então, recomenda que se façam pausas da seguinte forma:

Pai Nosso que estais no +, santificado seja o Vosso nome +, venha a nós o Vosso reino + , seja feita a Vossa vontade, + assim na terra como no céu. + O pão nosso de cada dia + nos dai hoje, + perdoai-nos as nossas ofensas, + assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido, + e não nos deixeis cair em tentação, + mas livrai-nos do mal. Amem.
Ave-Maria, cheia de graça, + o Senhor é convosco, + bendita sois vós entre as mulheres, + bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. + Santa Maria, Mãe de Deus, + rogai por nós pecadores, agora + e na hora de nossa morte. Amem.

No começo podemos achar difícil fazer essas pausas por causa de nosso mau hábito de rezar às pressas. Todavia, uma dezena dita dessa forma valerá mais que milhares de Rosários ditos com rapidez, sem pausas e reflexões. Ao rezar o Rosário dessa forma, a alma fiel não deve se espantar se sentir uma grande aridez enquanto reza, não sentir qualquer consolação, uma vez que o Rosário ou o terço sendo a devoção que mais agrada a Cristo e a Maria (após a Santa Missa), é a que mais desagrada o demônio. Assim sendo, as tentações, a aridez, as dificuldades ao rezar o Rosário tendem a ser imensas para quem o reza verdadeiramente bem. Não devemos, todavia, desistir, mas perseverar, a fim de que nossos Rosários, dando glória a Jesus e a sua Mãe, humilhem o demônio.
Os Rosários ditos por nós terão um peso enorme no nosso julgamento. Apesar das contrariedades, não devemos desistir de uma só Ave-Maria, mas recitar o Rosário/terço, mesmo que não tenhamos qualquer consolação sensível. Façamos como Cristo que na agonia rezou ainda mais: “Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância”. (Lucas 22, 44)

Rezemos com grande confiança e, se der, com um grupo, tendo em vista as seguintes razões:

1) Nossas mentes ficam muito mais atentas, em geral, quando rezamos publicamente do que quando rezamos sozinhos.

2) Os fervorosos inspiram os mornos, os fortes sustentam os fracos. Quando rezamos em comum, a oração de cada um pertence a todos e forma uma grande oração conjunta, de forma que se alguém não está rezando bem, alguém que reza melhor supre a deficiência.

3) A recitação em grupo do Rosário/terço confere o mérito de tantos Rosários quantas são as pessoas no grupo. Se há cinco pessoas, cada um tem o mérito de cinco Rosários.

4) A oração pública tem muito mais poder que a oração privada para aplacar a ira de Deus e clamar por sua misericórdia.

5) Na oração pública do Rosário é um exército que ataca o demônio.

Rezemos o Rosário/terço a fim de que possamos nos emendar e viver na graça de Nosso Senhor.
Regina Sacratissimi Rosarii, ora pro nobis.