terça-feira, maio 09, 2006

A Ave Maria (parte I)


Começaremos hoje a tratar, com a ajuda de São Tomás e com simplicidade, daquela que é a mais bela oração depois do Pai Nosso. Isso porque a oração foi, em certa medida, ditada diretamente pelo próprio Deus ao seu enviado, o Arcanjo Gabriel. É de uma riqueza imensa e profundíssima para a vida espiritual. Tão bela que a pessoa pode repeti-la mais de 150 vezes por dia durante a vida inteira. Sempre se terá algo para meditar sobre a Saudação Angélica, sobre as Glórias de Maria e sobre as perfeições de Deus.
Ave Maria, Cheia de Graça, o Senhor é convosco.

O primeiro elemento a ser considerado nesta oração é a dignidade de Maria Santíssima. Os Anjos aparecerem aos homens sempre foi, naturalmente, um acontecimento extraordinário. E também natural era que o homem reverenciasse o Anjo, já que este é superior. É por isso, nos diz São Tomás, que está escrito para o louvor de Abraão que ele recebeu os Anjos com hospitalidade (Gen 18). O Anjo é superior ao homem por três razões:
1) sendo de natureza espiritual, não é corruptível. O homem tem a natureza corruptível;
2) familiaridade com Deus. O Anjo está próximo de Deus como seu assistente, enquanto o homem é quase estranho a Deus, devido ao pecado;
3) finalmente, os anjos excedem os homens na plenitude da graça divina.
Dessa forma, não era conveniente que uma criatura não corruptível, com familiaridade com Deus e que tem maior plenitude da graça divina, saudasse outra que tem a natureza corruptível, está distante de Deus e que tem menor plenitude da graça divina.
Todavia, o Anjo saudou Nossa Senhora. Por que? Porque Nossa Senhora é maior que o Anjo.

1) primeiro, ela excede o Anjo na plenitude da graça divina. Aliás, a graça divina em Nossa Senhora é maior que em todos os Anjos. Por isso, o Anjo lhe disse: "cheia de graça". É como se dissesse: "Mostro-te reverência pois tu me excedes na plenitude da graça." A graça era tão abundante que ela evitou todo o pecado e fez o maior bem que uma criatura poderia fazer: trouxe o Redentor ao mundo.

2) em segundo lugar, a Santíssima Virgem excede os Anjos em familiaridade. Por isso, o Arcanjo Gabriel disse: " O Senhor é convosco", como se dissesse, "Reverencio-te porque estás mais próxima de Deus do que eu, porque o Senhor está contigo." Deus filho estava no seio da Sempre Virgem Mãe. Deus Espírito Santo O formou no seu ventre. Deus Pai a escolheu para ser Mãe temporal de seu Filho Eterno.

3) em terceiro lugar, Nossa Senhora excede os Anjos em pureza. Ela não somente é pura, mas obtém pureza para os outros. É puríssima quanto à culpa, pois nunca cometeu nenhum pecado, mortal ou venial. Maria, não tendo qualquer pecado, não sofeu as conseqüencias dele: concebeu sem corrupção, transportou em conforto e deu à luz o Salvador. Além disso, não se tornou pó, ou seja, não teve seu corpo corrompido. Morreu (para imitar seu Filho), ressuscitou e foi levada, por Ele, ao Céu.

Nossa Senhora tem mais graça divina que todos os anjos e santos juntos. As ações de uma pessoa têm o seu mérito medido a partir do amor a Deus. Quanto maior o amor, maior o mérito. Maria tem um amor a Deus incomparavelmente maior que o de todos os anjos e santos juntos. Assim, a mais singela ação de Nossa Senhora agrada mais a Deus que todas as santas ações desses servos de Deus. Quão grande é a dignidade da Bem Aventurada Sempre Virgem Maria. Está abaixo somente de Deus Nosso Senhor, que, claro, é infinitamente maior que sua humilde serva.
Rainha de todos os Santos, rogai por nós.
Rainha dos Anjos, rogai por nós.