domingo, abril 30, 2006

Mãe da Igreja


O mês de maio, que se inicia hoje, é dedicado à Maria Santíssima. Durante o mês, então, trataremos das virtudes de Nossa Senhora, de suas perfeições e de algumas devoções a ela, destacando o Santo Rosário. Tudo isso com o intuito de nos tornarmos verdadeiros filhos dela.

São Luís de Montfort nos diz que é sinal infalível de condenação não ter devoção à Maria, enquanto afirma, por outro lado, que ter uma verdadeira devoção à Maria Santíssima é um sinal praticamente infalível de salvação.

Antes de tudo, então, devemos reconhecer Maria como nossa Mãe espiritual. Assim como Eva é nossa mãe pela carne, Maria é nossa Mãe espiritual. Os Santos Padres dizem que em duas ocasiões Maria tornou-se nossa Mãe espiritual.

Quanto à primeira ocasião, São Bernardino de Siena nos diz:

que quando na Anunciação a Santíssima Virgem deu o consentimento que era
esperado pelo Verbo Eterno antes de tornar-se seu Filho, ela, logo após, pediu
pela nossa salvação a Deus com intenso ardor e com um afinco tal que, a partir
daquele momento, como a mais amorosa mãe ela nos concebeu no seu ventre (Tr. de B. V. Serm. viii, tradução minha)

É por isso que São Lucas nos diz que Nossa Senhora "deu à luz seu primogênito" (Lc ii, 7). E os outros filhos? Obviamente, como é de fé, Maria não teve outros filhos segundo a carne, mas teve outros filhos espirituais. E nós somos esses filhos.

A segunda ocasião é aquela em que Nossa Senhora está ao pé da cruz, com incomparável firmeza, apesar de toda a sua dor e de todo o seu sofrimento (e não desfalencendo ou perdendo os sentidos como gostam de retratá-la):
João xix, 26-27

cum vidisset ergo Jesus matrem et discipulum stantem quem
diligebat dicit matri suæ mulier ecce filius tuus
deinde dicit discipulo
ecce mater tua et ex illa hora accepit eam discipulus in sua


Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava,
disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
Depois disse ao discípulo: Eis aí
tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
Nosso Senhor não diz o nome de São João, mas somente discípulo, que é um nome comum a todos os fiéis, a fim demonstar que ela é Mãe de todos.

Além disso, São Luís de Montfort argumenta com muita simplicidade e sabedoria sobre a maternidade espiritual de Maria: a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual o próprio Cristo é a Cabeça. Ora, se a cabeça nasceu de uma mulher, é necessário que os membros do corpo nasçam dessa mesma mulher. Por isso, todos os que pertencem ao Corpo Místico de Cristo, ou seja, à Igreja têm Maria Santíssima por Mãe.

O profeta Davi, apesar de Maria não ter ainda nascido, buscou a salvação de Deus entregando-se como filho dela:
"salvai o filho da vossa escrava" (Salmos lxxxv, 16)
"De que escrava?", pergunta Santo Agostinho; ele mesmo responde: "Daquela que disse Eis aqui a serva do Senhor." (Lucas i, 38. Santo Afonso, Glórias de Maria).

Quão maior deve ser, então, a nossa confiança em Maria Imaculada, sabendo que ela é nossa Mãe?

Ela mesma disse à Santa Brígida:

Assim como uma Mãe vendo o seu filho no meio dos inimigos faria qualquer
esforço para salvá-lo, também eu, e farei por todos os pecadores que buscarem a
minha misericórdia
(Santo Afonso, Glórias de Maria).

Da mesma forma que a criança chama a mãe quando está em perigo, também nós devemos chamar por Maria. Chamá-la sempre para nos proteger das tentações. Chamá-la sempre para alcançar a graça de Deus.

Façamos como Davi. Entreguemo-nos a Deus como filhos de Maria.


Ave Maria, Mater Ecclesiae, ora pro nobis.