domingo, outubro 08, 2006

Fidentem Piumque - Leão XIII sobre o Rosário

(...) Nós não nos podemos cansar de exaltar a Mãe de Deus, que é verdadeiramente "digníssima de todo louvor", nem de inculcar um terno amor para com ela, que também é Mãe dos homens, e que é "cheia de misericórdia e cheia de graça". Antes, quanto mais a Nossa alma, fatigada pelas solicitudes apostólicas, sente avizinhar-se a hora da sua partida, tanto mais ardente e confiantemente volve o olhar para aquela que é como a aurora bendita da qual surgiu o dia de uma felicidade e de uma alegria sem ocaso.

Oh! quanto nos consola, Veneráveis Irmãos, a lembrança das Cartas periodicamente escritas para recomendar o Rosário, tão grato àquela a quem se quer honrar, tão útil àqueles que o rezam bem!
...

As principais condições da oração

2. A forma de oração de que falamos foi chamada com o belo nome de Rosário como que para exprimir, a um tempo, o perfume das rosas e a graça das coroas. Nome que, enquanto é indicadíssimo para significar uma devoção destinada a honrar aquela que justamente é saudada como "Rosa Mística" do Paraíso, e que, cingida de uma coroa de estrelas, é venerada como Rainha do universo, parece também simbolizar o augúrio das alegrias e das grinaldas que Maria oferece aos seus fiéis.

3. E esta asserção aparece ainda mais evidente se se considerar a natureza do Rosário mariano. De feito, nada nos é mais recomendado pelos preceitos e pelos exemplos de Cristo e dos Apóstolos do que a obrigação de invocarmos a Deus e de suplicarmos o seu auxilio. Depois, os Padres e os Doutores da Igreja, por sua parte, nos ensinam que este dever é de tal importância, que quem o descurasse debalde confiaria em alcançar a eterna salvação. Mas, embora quem reza tenha, pela própria virtude da oração e pela promessa de Cristo, a possibilidade ímpar das graças divinas, todavia, como todos sabem, a oração tira a sua maior eficácia principalmente destas duas condições, a saber: da assídua perseverança, e da união de muitos corações na mesma oração.
A primeira condição é claramente posta em evidência pelas amorosas instâncias de Cristo: "Pedi, procurai, batei" (Mt. 7, 7); instâncias que pintam Deus como o mais terno dos pais, o qual quer, sim, acolher os desejos de seus filhos, mas também se alegra de sentir-se por eles longamente rogado, antes como que cansado pelas súplicas deles, para ligar sempre mais estreitamente a si os seus corações. Depois, sobre a outra condição, o próprio Senhor em várias circunstâncias proclamou: "Se dois de vós se puserem juntos na terra para pedir qualquer coisa, eu estarei no meio deles" (Mt 18, 19-20). Ensinamento do qual tirou inspiração aquela vigorosa sentença de Tertuliano: "Reunimo-nos juntos em assembléia e em sociedade como que para tomar de assalto a Deus com as nossas preces; é esta uma forma de violência, porém muito do agrado de Deus" (Tertuliano, Apologet., c. 39). Além disto, é digno de menção, a este propósito, o que escreve o Aquinate: "É impossível que não sejam escutadas as orações de muitos juntos, quando não formam senão uma só oração" (S. Thomas de Aquino, In Evangelium Matthaei, c. 18).

A união e a perseverança na recitação do Rosário

4. Ora, ambas estas condições se acham perfeitamente unidas no Rosário. Nele, com efeito, - para omitirmos outras reflexões - pela nossa repetição das mesmas orações nós demonstramos querer obter do Pai Celeste o seu reino de graça e de glória; e com as nossas reiteradas súplicas à Virgem Mãe imploramos para nós pecadores o seu auxílio e a sua intercessão durante toda a nossa vida e na nossa hora extrema, que é a porta da eternidade. Depois, a própria forma do Rosário presta-se otimamente para a oração em comum; tanto que, com razão, foi ele chamado "Saltério mariano".
Mantenha-se, portanto, com religiosa exatidão, ou se reponha em honra, o uso que tanto floresceu entre os nossos antepassados, quandoas famílias cristãs, nas cidades e nos campos, consideravam como um sagrado dever o reunir-se, à noite, depois dos labores do dia, diante de uma imagem da Virgem, para recitar alternativamente o Rosário. E ela se comprazia tanto nesta fiel e concorde homenagem, que, como uma mãe entre a coroa de seus filhos, assistia propícia aqueles seus devotos, e concedia-lhes o dom da paz doméstica, penhor da paz do Céu.

O Rosário apresenta-nos Maria como mediadora

7. E quem quererá considerar excessiva e censurar a grande confiança depositada no auxilio e na proteção da Virgem? Todos estão de acordo em admitir que o nome e a função de perfeito Mediador não convém senão a Cristo: porque só Ele, conjuntamente, Deus e Homem, reconciliou o gênero humano com seu sumo Pai: "Um mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus Homem, aquele que a si mesmo se deu como preço de resgate por todos" (1 Tim. 2, 5-6). Mas se, como ensina o Angélico, "nada proíbe que algum outro se chame, sob certos aspectos, mediador entre Deus e os homens, quando dispositiva e ministerialmente coopera para a união do homem com Deus" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 26 a. 1), como é o caso dos Anjos, dos Santos, dos profetas e dos sacerdotes do velho e do novo Testamento, sem dúvida alguma tal título de glória convém, em medida ainda maior, à Virgem excelsa.

Com efeito, é impossível imaginar outra criatura que tenha realizado ou esteja para realizar uma obra semelhante à dela, na reconciliação dos homens com Deus. Foi ela que, para os homens fadados à eterna ruína, gerou o Salvador; quando, ao anúncio do mistério de paz trazido à terra pelo Anjo, ela deu o seu admirável assentimento, "em nome de todo o gênero humano" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 30 a. 1). Ela é aquela "da qual nasceu Jesus", sua verdadeira Mãe, e por isto digna e agradabilíssima "Mediadora junto ao Mediador”.

O Rosário fortifica a nossa fé

9. Mas, como de outra vez lembramos, o Rosário produz outro fruto notável, adequado às necessidades dos nossos tempos. É este: que, numa época em que a virtude da fé em Deus está cada dia exposta a tão graves perigos e assaltos, o cristão acha no Rosário meios abundantes para alimentá-la e reforçá-la.

(...)Ora, todos sabem que, na prática do Rosário, Cristo tem esse lugar de proeminência que lhe compete. De fato, é a sua vida que nós contemplamos na meditação: a privada, nos mistérios gozosos; a pública, em meio aos graves incômodos e a padecimentos mortais; a gloriosa, enfim, que da sua triunfal ressurreição chega até à eternidade d'Ele, sentado à destra do Pai.
E, como é necessário que a fé, para ser digna e perfeita, se manifeste exteriormente, "pois que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz a profissão para a salvação" (Rom. 10, 10), no Rosário achamos também excelente meio para professarmos a nossa fé. E, realmente, com as orações vocais de que ele se tece, podemos exprimir a nossa fé em Deus, nosso Pai providentíssimo, na vida futura, na remissão dos pecados, nos mistérios da augusta Trindade, do Verbo encarnado, da maternidade divina, e em outras verdades ainda. Ora, ninguém ignora o quanto é grande o valor e o, mérito da fé: semente seletíssima que hoje faz desabrochar as flores de todas as virtudes que nos tornam agradáveis a Deus, e que um dia produzirá frutos que durarão eternamente: "O conhecer a ti é perfeita justiça, e o saber a tua justiça e poder é raiz de imortalidade" (Sab. 15, 3).

Facilidade e preciosidade do Rosário

12. Aqueles, pois, que se esforçam por atingir o seu bem supremo, um admirável desígnio da Providência ofereceu o auxílio do Rosário: auxilio mais fácil e mais prático do que qualquer outro. Porque basta um conhecimento, mesmo modesto, da religião, para se aprender a rezar com fruto o Rosário; e, por outro lado, isso requer tão pouco tempo, que na realidade não pode acarretar prejuízo a outros afazeres. Além de que isto é confirmado por oportunos e luminosos exemplos da história da Igreja; onde se lê que em todos os tempos houve pessoas que, conquanto desempenhassem ofícios muito pesados, ou fossem absorvidas por fatigantes ocupações, todavia nem sequer por um só dia relaxaram este piedoso costume.

13. Isto se explica por esse íntimo sentimento de piedade que transporta as almas para esta sagrada coroa, até a amá-la ternamente e a considerá-la como a companheira inseparável e fiel amparo da sua vida. Apertando-a entre os dedos nas supremas agonias, eles estão mais
seguros de ter em mão um penhor da "imarcescível coroa de glória".
Para o retorno dos dissidentes

(...) a prece da Virgem também seja eficacíssima para este fim, disto temos uma prova eloqüente na história apostólica. Aquela página que, enquanto nos apresenta a primeira reunião dos Discípulos, em suplicante espera da prometida efusão do Espírito Santo, faz especial menção de Maria, em oração com eles: "Todos eles perseveravam unânimes na oração com Maria, Mãe de Jesus" (At 1, 14).
Portanto, assim como a Igreja nascente justamente se uniu na oração a ela - a mais nobre fautora e guardiã da unidade, - o mais possível oportuno é que outro tanto façam, nos nossos dias, os católicos; especialmente durante o mês de Outubro, que Nós, já de longa data, temos querido dedicado e consagrado à divina Mãe, com a recitação solene do Rosário, para implorar o auxílio dela nas presentes angústias da Igreja. Acenda-se, pois, por toda parte o ardor por esta oração, com a finalidade precípua de alcançar a santa unidade. Nada poderá ser mais suave e mais grato a Maria. Unida intimamente a Cristo, ela deseja sobretudo e quer que aqueles que receberam o dom do mesmo batismo, por Ele instituído, estejam também unidos, por uma mesma fé e por uma perfeita caridade, com Cristo e entre si mesmos.

16. Que, mediante o Rosário, os mistérios augustos desta fé penetrem tão profundamente nas almas, que nós possamos - queira-o Deus! -"imitar aquilo que eles contêm, e alcançar o que
prometem !"

quarta-feira, setembro 13, 2006

Lutero e as Indulgências

Lutero e as Indulgências


Não é incomum ler em livros de História ou ouvir de professores, mesmo (ou principalmente) nas universidades, que a Igreja, no tempo de Lutero, vendia indulgências, vendia a absolvição, vendia o céu e praticava a simonia (venda de sacramentos).

Foi justamente essa a afirmação que eu ouvi faz alguns dias de um Professor de Direito da UnB. A pessoa que faz tal afirmação está em uma das duas situações: ou é ignorante e nunca leu o mais singelo compêndio de doutrina católica, mas simplesmente repete os slogans contidos nos péssimos manuais de história usados no Brasil; ou está de má-fé, com simples vontade de atacar a Santa Igreja. Vejamos, então, o que significam de fato as indulgências e o que se passava no tempo de Lutero.

Um Pouco da Doutrina Católica

Há três fatores a serem considerados em todos os pecados mortais: primeiro, a culpa; segundo, a sua punição eterna; terceiro, a punição temporal. Os dois primeiros (que levam a pessoa ao inferno) são perdoados pelo Sacramento do Batismo e pelo Sacramento da Confissão (quando a pessoa volta a pecar mortalmente depois do Batismo). O terceiro fator – punição temporal – é expiado pelos nossos sofrimentos e penitências aqui na terra ou no purgatório, ou pela remissão por meio das indulgências. Está claro, então, que a indulgência não tem nada que ver com absolvição nem com comprar o céu ou ir para o inferno. A pessoa obtém o perdão da culpa e da punição eterna somente quando recorre ao Sacramento da Penitência (que para sua validade requer a contrição pelos pecados cometidos, firme propósito de emenda, acusação dos pecados ao Sacerdote e a absolvição dada pelo mesmo, in persona christi). Além disso, a indulgência também não perdoa nem os pecados veniais, nem, obviamente, é permissão para que se cometam pecados futuramente.

A indulgência pressupõe que a pessoa esteja em estado de graça, quer dizer, que esteja absolvida de seus pecados mortais. Pressupõe, em outras palavras, a própria confissão, que perdoa a culpa e a punição eterna do pecado mortal. Daqui se conclui que a indulgência não é Sacramento e, portanto, não há que se falar em simonia, isto é, venda de sacramento.

A pessoa estando já arrependida de seus pecados e tendo-os confessado ao Sacerdote pode diminuir a sua pena temporal suportando com paciência os sofrimentos, fazendo penitências e praticando boas obras. É justamente aqui que entram as Indulgências. É a remissão da pena temporal pela prática de boas obras. Como já foi dito, então, a remissão dessa pena pressupõe a absolvição sacramental, que perdoou a culpa e a punição eterna. Somente a partir daí se pode pensar na remissão da pena temporal. Utilizemos uma comparação: uma criança, desobedecendo a mãe, joga futebol dentro de casa e quebra um vaso. Depois, arrependido pede perdão para a mãe. Ela concede o perdão, mas fala para o filho ao menos juntar os cacos do vaso. Ora, a mãe não aplicou um castigo mais severo e que seria justo porque o filho se arrependeu, mas pediu apenas para o filho juntar os cacos, a fim de que o filho não pense que basta desobedecer e depois se “arrepender”, além de se constituir igualmente numa satisfação pela ofensa cometida. Essa pena mais leve trata-se também, então, de uma educação, a fim de não incentivar a desobediência. Assim funciona com o pecado mortal. A pessoa que peca, arrependida e tendo se confessada deve ainda uma satisfação – que deve ser feita em vida ou no purgatório - a glória de Deus ofendida por sua desobediência. Essa satisfação serve também como educação das péssimas conseqüências que advêm do pecado.

Visto que não se trata de comprar e vender sacramentos, vejamos se de fato se trata de comprar e vender alguma coisa. Ora, a Indulgência é obtida quando, presentes os pressupostos citados, o fiel pratica uma boa obra prescrita pela Igreja. Essa boa obra pode ser, por exemplo, uma contribuição pecuniária, conforme a capacidade de cada um, para a construção de uma igreja ou capela. Obviamente, aqueles que não têm condição de contribuir com dinheiro contribuem (e que contribuição!) com suas orações e jejuns. No tempo de Lutero, estava sendo construída a atual Basílica de São Pedro e uma das boas obras prescritas pelo Papa para obter indulgência era contribuir para a edificação da mais importante igreja do Catolicismo. E mesmo nesse caso quem não tivesse dinheiro poderia contribuir com as orações e os jejuns. É isso o que diz o documento do Arcebispo Alberto de Brandenburgo “aqueles que não têm dinheiro devem suprir com suas orações e jejuns, já que o Reino dos Céus deve ser aberto tanto aos pobres quanto aos ricos.”

Não se trata, então, de comprar e vender nada, mas apenas de dar uma contribuição para a construção de uma igreja. Não há dúvidas de que poderia haver Padres que pregavam que as indulgências levariam para o céu, sem a necessidade de arrependimento e da confissão, enganando os fiéis. Eram, todavia, maus Padres que iludiam os fiéis e contrários ao que ensina a Santa Igreja.

Motivo real da revolta de Lutero

O verdadeiro motivo da revolta de Lutero com relação às indulgências deve-se à sua teologia do sola fide, isto é, a salvação somente pela fé. Diz Lutero que a pessoa se salva apenas pela fé, independentemente das obras.

A origem dessa teologia deturpada surge – numa análise superficial - da personalidade um tanto quanto perturbada de Lutero. Inicialmente, ele se revela extremamente escrupuloso, vendo pecado onde não existe, o que termina por levá-lo ao desespero, em que a pessoa considera que já está condenada independentemente do que fizer. O desesperado considera as boas obras inúteis. Na verdade, Lutero, desprezando a misericórdia Divina, considerava não apenas inúteis as boas obras, tinha-as como impossíveis de serem realizadas. De fato, sozinhos não somos capazes de praticar boas obras, mas unidos aos méritos de Nosso Senhor e por sua bondade infinita podemos praticá-las, sim. Não podendo permanecer nessa situação de desespero, em que ele já se considerava condenado, Lutero cai no erro oposto: o erro da presunção, em que não há mais justiça divina, apenas misericórdia. Isso quer dizer que independentemente do que ele faça, ele estará salvo. Mais uma vez, Lutero nega a existência das boas obras. Para ele, então, o homem, apesar de somente cometer pecados é salvo pela fé. Isso é uma afronta à justiça divina! As duas doutrinas de Lutero são totalmente distorcidas – a primeira anula a misericórdia e a segunda anula a justiça, sendo que ambas, na doutrina correta, estão sempre juntas. As duas doutrinas erradas de Lutero têm a mesma conseqüência: mantêm o homem no pecado, na prática das más obras, como se não houvesse alternativa. É também uma negação tremenda do livre arbítrio. Daí, então, Lutero passar a defender que basta a fé para se salvar e dizer: “Crê firmemente e peca muitas vezes.”
Lutero era totalmente contra qualquer boa obra, e dizia que o homem é incapaz de fazer uma boa obra (o que é um absurdo completo e uma comodidade bem grande!) e por isso o seu ataque às indulgências, que têm por essência a prática de uma boa obra.

Lutero é tido como modelo moral de reformador de uma Igreja totalmente corrompida. Por um lado, a corrupção era de alguns membros da Igreja e não de Igreja em si (o que jamais ocorrerá) e, por outro, Lutero sempre teve um comportamento moral bastante ruim. Antes de entrar no Monastério, por exemplo, ele fez uma festa de despedida com “bastante vinho e mulheres.” Depois abandonou todos os votos que fez, vivia na mesma casa com algumas tantas ex-freiras, casou com uma delas, Catarina, e depois a abandonou. Além disso, Lutero proferia blasfêmias constantemente. Para provar isso, basta ler as obras do........ próprio Lutero. Lutero nunca foi reformador! Reformador é São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila, São Francisco. O reformador volta para o que diz e prescreve a Igreja, jamais se revolta contra ela. Lutero foi um deformador. Para mais detalhes, ver o excelente artigo de Marcos Libório, que é uma pequena biografia de Lutero e expõe a sua doutrina insana: Lutero, o filme: uma boa e grossa mentira

sábado, julho 01, 2006

TIBI DABO CLAVES REGNI CAELORUM

Oremus pro Pontefice nostro Benedicto.
Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in anima inimicorum ejus.

Oremos pelo nosso Pontífice Bento.
O Senhor o conserve e vivifique, e o faça feliz na terra e não o abandone nas mãos dos inimigos.


Naquele tempo foi Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe, e interrogou os seus discípulos dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, e outros que é Jeremias ou algum dos Profetas. Jesus disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Simão Pedro disse: Tu és Cristo, Filho de Deus Vivo. E, respondendo Jesus, disse-lhe: Bem-Aventurado és Simão Bar Jona porque não foi o sangue e a carne que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus. E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na Terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus. (Mateus 16, 13-19)

Nosso Senhor confere neste momento a Pedro o supremo governo da Igreja, como cabeça visível de sua Igreja. Este trecho da Sagrada Escritura, como não poderia ser de maneira diversa, é de uma riqueza impressionante, desde o nome da cidade em que Cristo confere este poder a Pedro, passando pela geografia do local e chegando às próprias palavras de Cristo.

O nome do local é Cesaréia Filipe, cidade, portanto, de César, Imperador Romano. Ora, era muito conveniente que Cristo instituísse Pedro com o Primado na cidade de César, a fim de indicar a sua autoridade suprema na Igreja de Cristo. Geograficamente, há nesse local uma rocha enorme, para deixar claro, inclusive visualmente, o significado das palavras de Nosso Senhor. Pedro é aquela rocha, sobre a qual Cristo edificará a sua Igreja. Uma rocha que pela vontade divina é irremovível e imutável e sobre qual todo homem prudente constrói a sua casa, consoante Mateus 7, 24-29.


Todavia, um tópico interessante e sobre o qual o homem atual, nestes tempos de democracia liberal, perdeu quase totalmente o entendimento é o da entrega das chaves. Diz Nosso Senhor:

Tibi dabo claves regni caelorum. “Eu te darei as chaves do céu. E tudo o que ligares sobre a Terra será ligado também nos Céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus.”

A entrega das chaves para um homem sempre representou a delegação de autoridade. Se um superior entregava ao seu súdito as chaves de uma fortaleza ou de uma cidade, isto significava o poder que ele havia de exercer naquela fortaleza ou cidade. Como diz o Pe. Leonel Franca:

“Possuir as chaves de uma casa, de uma cidade, de um reino é enfeixar nas mãos o direito de abri-los ou fechá-los, de admitir ou rejeitar estranhos, é, numa palavra, ter o poder de dona da casa, de governador da cidade, do soberano do rei.”

Isto era muito comum nos povos orientais, em que se suspendiam as chaves nos ombros como símbolo da autoridade. A figura era, pois, de uso corrente e de fácil e acessível entendimento.

Os judeus tinham uma noção clara do que significava a entrega das chaves, sobretudo por causa de um trecho do Antigo Testamento, que tem paralelo impressionante com o Primado de Pedro:

Depor-te-ei de teu cargo e arrancar-te-ei do teu posto. Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias. Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá; fixá-lo-ei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai. Dele estarão pendentes todos os membros de sua família, os ramos principais e os ramos menores, toda espécie de vasos, desde os copos até os jarros. (Isaías 22, 19-24)

São Francisco de Sales diz que nada poderia encaixar melhor do que esses dois trechos da Sagrada Escritura:

Evangelho Segundo São Mateus
Bem-Aventurado és Simão Bar Jona porque não foi o sangue e a carne que to revelou, mas Meu Pai que está nos Céus.

Isaías
Naquele dia chamarei meu servo Eliacim, filho de Helcias.


Evangelho Sengundo São Mateus
E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares na Terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a Terra será desatado também nos Céus.

Isaías
Revesti-lo-ei com a tua túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, e lhe transferirei os teus poderes; ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá;




Nosso Senhor, que é Rei eternamente, deixou como seu Vigário na Terra o Apóstolo Pedro e seus sucessores, os Papas. Ao ascender, entregou as chaves a Pedro. O Papa tem, então, poder de ligar e desligar TUDO aquilo - pessoas e coisas - que pertence à natureza da Igreja. Tem poder de impor leis e obrigações; poder de admoestar e punir. Ele pode excluir do Reino dos Céus aqueles que cometerem certos crimes, uma vez que as chaves desse Reino estão em seu poder. Assim, por exemplo, o Papa pode excomungar alguém que apóie o aborto.

Pedro pode, então, declarar lícito ou ilícito qualquer coisa aqui na terra, que isso será confirmado no próprio Céu, onde passará a ser considerado lícito ou ilícito.

Todavia, obviamente, não tem poder o Papa para acabar com aquilo que é da própria lei natural ou de preceito divino. Assim, o Papa não tem poder jamais para declarar que o aborto é lícito, porque vai contra a lei de Deus, o quinto mandamento: não matar. Ele poderia, por exemplo, tirar a pena de excomunhão, sem que deixe o aborto de constituir-se pecado mortal, que leva a pessoa ao inferno, embora ela não esteja totalmente excluída da Igreja. Enquanto o Papa mantiver a pena de excomunhão, aquele que cometer esse abominável crime estará desligado totalmente da Igreja.

Dessa forma, então, o Romano Pontífice tem um poder que lhe é dado diretamente por Cristo. E todos nós devemos nos submeter ao Papa, que é, verdadeiramente, nosso pai, o doce Cristo na Terra, como diria Santa Catarina de Siena. O Papa é a cabeça visível da Igreja, enquanto Cristo é a sua cabeça invisível. E nós somos os membros da Igreja, necessariamente dependentes da cabeça e a ela obedientes.

Oremos pelo Papa. Deus onipotente e eterno, compadecei-vos do Nosso Pontífice, Vosso Servo, Bento, e dirigi-lo segundo a vossa clemência, pelo caminho da salvação eterna; para que, por vossa graça, deseje o que vos agrada e o cumpra com toda a perfeição. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Rezemos também para a intercessão de São Pedro por aqueles que rejeitam a autoridade do Papa, para que, livres do erro, possam professar a verdadeira fé.

quinta-feira, junho 29, 2006

Cardeal da Cúria sobre pontos negativos da reforma litúrgica

O Secretário da Congregação para o Culto Divino, o Arcebispo Albert Malcom Ranjith Patabendige Don admitiu resultados negativos advindos da reforma litúrgica pós-Vaticano II, listando o "abandono do sagrado e do místico", a confusão entre o sacerdócio comum de todos os fiéis e o sacerdócio do ministro ordenado e o errôneo conceito de Eucaristia como banquete, em vez renovação do sacrifício do calvário.



Podemos exemplificar bem esses três aspectos negativos assinalados pelo Arcebispo da Cúria Romana:



i) abandono do sagrado e do místico - pode-se ver isso facilmente em qualquer Igreja, em qualquer Missa. As pessoas não se ajoelham mais perante o Sacrário, fazendo uma inclinação de má vontade. Não há a menor solenidade, não há praticamenete nada que evoque o sobrenatural da ação sublime que se passa no altar, mas unicamente a dimensão humana, como se a Missa se tratasse de nós e não de Deus; como se a Missa fosse para nos fazer sentir bem e não para adorar a Deus, agradecê-lo, pedir perdão pelos nossos pecados e pedir a graças que precisamos para a nossa salvação.



ii) a confusão entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio do ministro ordenado. Os ministros ordenados são aqueles que receberam o Sacramento da Ordem, foram escolhidos por Deus Nosso Senhor para renovar o seu sacrifício, para perdoar os pecados, para serem pastores realmente, enfim,, aproximando-se sobremaneira de Cristo. Devem ser outro-Cristo, de tão perto que devem seguir o Divino Mestre. Ora, a dignidade desses ministros ordenados é muito superior a de um leigo (não quer dizer que sejam mais santos), eles são consagrados para isso. Confundir o sacerdócio comum com esse excelso sacerdócio é, em certa medida, enfraquecer a própria figura de Nosso Senhor, é querer tirar a autoridade daquele que é enviado por Nosso Senhor para ensinar. Daí ninguém mais querer obedecer aos Padres. E os Padres, errando, começam a fazer o que os leigos querem. Vê-se essa confusão claramente, com leigos fazendo leituras durante a Missa, com leigos fazendo homilias, com leigos fazendo imposição das mãos, como se tivera algum poder e diginidade para assim o fazer. Uma confusão completa. O Sacerdote não é igual ao leigo. Ele é superior, tem maior dignidade. Isso não quer dizer, obviamente, que tenha maoir santidade.



iii) a Eucaristia entendida como banquete e não como sacrifício é o mais fácil de se perceber. Basta ir à Igreja e ver que a Missa aparenta ser uma festa e não a renovação do sacrifício do calvário perpetuado nos alteras. A Missa parece uma festa, com palmas, cantos melosos, rock, samba. As pessoas apenas pedem e pedem aquilo que lhes agrada. Na verdade, devemos nos ajuntar ao sacrifício de Cristo, estarmos prontos para negar-mos a nós mesmos e tomar a nossa cruz e seguir Nosso Senhor. No ofertório, devemos entregar totalmente a nossa vida a Nosso Senhor, assim como Ele se entrgou por nós. Devemos nos subemter totalemente à vontade dEle, pronto a aceitar com paciência as cruzes que nos vierem. Não aquilo que nos faz sentir bem, mas aquilo que é para maior glória de Deus.
Diz ainda o Arcebispo que o Papa conhece tudo isso, que ele sabe as questões, que está muito consciente da situação e que ele (o Papa) está refletindo.



Rezemos nós pelo Papa Bento XVI.

Vergonha para os Católicos

Em reunião "ecumênica" de evangélicos pentecostais e católicos carismáticos, o Príncipe da Igreja, Cardeal Jorge Mario Bergoglio, ajoelhou-se perante o "pastor" protestante e recebeu uma imposição de mãos, a fim de receber o dom da sabedoria. A repostagem é do La Nacion.
Uma coisa tremenda e muito triste.Sucessor dos Apóstolos, Príncipe da Igreja, suposto papabile no último conclave. E recebe a "bênção" de um protestante, ajoelhado. A fim de receber o que? Era ele quem deveria estar abençoando seu rebanho e conduzindo-o verdadeiramente a Cristo. Em vez de ensinar o seu rebanho, escandaliza-o.
Nos Estados Unidos, na Missa de instalação do novo Bispo de Washington, o Núncio Apostólico, ou seja, o legado do Papa perante os Bispos americanos, distribui a Comunhão para o Senador John Kerry, que defende posição amplamente conhecida e favorável ao aborto. Durante a campanha presidencial americana de 2004 muitos bispos disseram que negariam a Comunhão ao candidato. O Vaticano já declarou que não se deve distribuir a comunhão para quem defende o aborto, uma vez há pecado mortal. Mais um grave escândalo que deixa as ovelhas bem confusas.
Que diria Santo Ambrósio, que impediu o imperador Teodósio de ENTRAR na Igreja depois de ter cometido uma grave pecado público? Isto pouco tempo depois de Teodósio ter convertido o Catolicismo na religião oficial do Império. Imagina distribuir a comunhão....... e receber a bênção de um "pastor".....
Oremos a Deus para que nos dê pastores Santos, que nos possam guiar e nos defender dos lobos inúmeros.

terça-feira, junho 06, 2006

Artigo do Pe. Lodi (ver o post abaixo depois)

PT: Partido ou religião? Eis a questão...

PT: Partido ou Religião? Eis a questão...Quando um cidadão encontra o *Partido dos Trabalhadores*, encontra um tesouro. Vale a pena vender tudo para comprar o campo onde o tesouro está enterrado. O PT não é o melhor dos partidos políticos. É o único partido verdadeiro. Os outros são simulacros de partido.

A alegria de ter encontrado a verdade, faz com que o cidadão, para filiar-se ao PT, renuncie a tudo. Uma vez filiado, ele não terá mais direito de escolher seus candidatos. Seu dever será "votar nos candidatos indicados" pelo Partido. (Estatuto do *Partido dos Trabalhadores*, aprovado em 11/03/2001, art. 14, inciso VI). Se for candidato a um mandato parlamentar, deverá reconhecerexpressamente que o mandato não é seu, mas que “pertence ao partido” (art. 69, inciso I). A obediência ao Partido é sagrada. Está acima de tudo: de suas opiniões pessoais, de suas convicções, das reivindicações dos eleitores. Só em casos extremamente excepcionais, o parlamentar poderá ser dispensado de cumprir as ordens do alto, para seguir sua consciência ou o clamor dos que nele votaram (art. 67 § 2º).

Com alegria o filiado pagará anualmente uma contribuição proporcional ao seu rendimento (art. 170). Se ocupar um cargo executivo ou legislativo, a contribuição não será anual, mas mensal, obedecendo a uma tabela progressiva (art. 171 e 173). Mas a alegria de ser filho do verdadeiro Partido faz com que todas essas imposições pareçam leves.

Dentro do Partido, zela-se não só pela unidade ("que todos sejam um"), mas pela uniformidade. Frações, públicas ou internas ao Partido são expressamente proibidas (art. 233 §4º). No entanto, os filiados podem organizar-se em "tendências" (art. 233). Estas, porém, estão submissas às decisões partidárias e ao encaminhamento prático do Partido (art. 238). Nenhum filiado poderia, por exemplo, organizar uma tendência para combater o "casamento" de homossexuais ou a legalização do *aborto*, que são bandeiras do Partido. As tendências não podem ter sedes próprias (art. 235 "caput"), não podem reunir-se com não-filiados (art. 235 §3º) e não podem difundir suas posiçõesfora do Partido (art. 236 §1º). Mesmo que uma tendência deseje publicar documentos seus, contendo posições oficiais do Partido, está proibida de fazê-lo (art. 236 §2º). O petista submete-se a todo este mecanismo de controle, ciente de que o Partido sabe o que faz.

Se sou vereador e o Partido me proíbe de propor um projeto de lei pró-vida, não tenho motivo para reclamar. O Partido deve ter suas razões. Se sou senador e cabe a mim a tarefa de emitir um relatório sobre um projeto de *aborto*, eu, por fidelidade ao PT, não posso manifestar-me contra a proposta. Devo agradecer ao Partido por ele, benignamente, permitir que eu passe o encargo de relator a um colega abortista. Se sou deputado federal e o Partido manda que eu me ausente de uma sessão deliberativa, onde meu voto, contrário ao *aborto*, atrapalhará a aprovação de um projeto, a resignação será minha melhor atitude.

Tudo isso e muito mais vale a pena. Pois todos os outros partidos são comprometidos com as oligarquias, com o neoliberalismo, com a classe dos opressores, e não dão importância aos pobres, aos excluídos, aos marginalizados, aos explorados, aos sem voz e sem vez. Pertencer ao PT é uma glória tão grande que justifica qualquer custo.

Se sou petista, pouco me importa que Lula e Fidel Castro tenham fundado em 1990 o Foro de São Paulo para fortalecer a ditadura cubana. Não me interessa que, em dezembro de 2001, Lula tenha elogiado o regime comunista de Cuba durante sua viagem a Havana, nem que lá estivessem presentes chefes narco-guerrilheiros colombianos.

*_Se sou petista, não quero saber por que entre os oitos projetos de lei abortistas em tramitação no Congresso Nacional, seis são de autoria do PT. _*Não me interessa explicar por que nenhum parlamentar petista, desde a mais humilde Câmara Municipal até o Senado Federal, tenha ousado propor um projeto de lei antiabortista.

Aliás, o bom petista jamais chegaria até esta linha do artigo. Muito antes já teria parado a leitura por considerá-la perigosa à fé que ele tem no Partido. Fora dessa fé não pode haver salvação.

_*Agora, uma pergunta final, com vistas as eleições de 27 de outubro: pode um cristão votar no PT? Pode. Mas antes ele precisa trocar sua Certidão de Batismo pela Certidão de Petismo. Duas religiões antagônicas não podem coexistir num mesmo fiel.*

_Anápolis, 27 de outubro de 2002

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

PT a favor do aborto (ver post acima)

Mais uma notícia que comprova como o PT (com PC do B) é contra a doutrnia da Igreja em matérias gravíssimas, assim, como, diga-se de passagem, todos os outros partidos aqui no Brasil. Pelo menos os outros vão um pouco mais devagar. Todavia, muitas pessoas pensam que o PT é a salvação do país, igualando o partido a uma religião.
Aqui a notícia de que os dirigentes do Partido apresentaram o aborto como bandeira política do PT.
Aqui está o que impõem "democraticamente" os dirigentes do Partido dos Trabalhadores no seu próprio site:
Nós, delegados e delegadas ao 13º Encontro Nacional do PT, reafirmamos as posições de encontros anteriores e indicamos que os/as parlamentares de nosso Partido não se somem a conservadores e reacionários para criar uma Frente Parlamentar em Defesa da Vida – Contra o Aborto, demonstrando total desconhecimento da causa e, mais grave, absoluto desrespeito pelas mulheres.
Quem não sabe de nada são esses dirigentes do PT, que agem contra a Lei de Deus e contra a razão. Ou pior: muitos sabem exatamenteo que fazem. Matar um ser humano inocente! É o colapso completo da sociedade.
Ainda outro dia um professor meu de Direito dizia que o advogado TEM que mentir. Depois ninguém sabe porque o Brasil está um caos completo. Perdeu-se totalmente a noção de bem e de mal, certo e errado.

quinta-feira, junho 01, 2006

Missa Tradicional

Ainda outro dia o Primaz da Gália, Cardeal Brabarin de Lyon disse, em cerimônia de Confirmação no Rito Tradicional, que "é devido ao explícito conselho do Papa Bento XVI que vim entre vocês."

Antes, o recém-criado Cardeal Zen da China celebrava também a Missa Tridentina lá no oriente. Em situação um pouco precária, mas com a sua beleza insuperável.

Chega hoje a notícia de que haverá também uma Missa Tridentina em Catedral da Argentina. Notícia aqui.

São três figuras bem importantes que estão relacionadas a essas Missas em Rito Tradicional. Excelente! Dá mostras de que o Papa está aos poucos trabalhando pela Missa. Tomara que seja assim. Rezemos para que ele libere a Missa de Sempre o quanto antes. E veremos Graça do Senhor iluminar o mundo.

Sem falar da realização de Missas (Nova, ou seja, rito de Paulo VI) em latim aqui pelo Brasil. No 15º Congresso Eucarísitico Nacional e também aqui no Seminário em Brasília. Algo que eu não arriscaria dizer se realmente não soubesse.

Parece que Bento XVI vai encurtando a rédea. Queira Deus.

N. Sra. Honrada Publicamente

Na festa da Bem Aventurada Maria, Rainha, pelo calendário antigo, o prefeito de Santa Maria, Kansas, EUA, Bobby Awerkamp fez a seguinte resolução:

“Whereas the City of St. Marys gets its name from the Catholic Mission
founded by the Jesuits in 1848,
“And Whereas, the name of the mission and
town was given in patronage of Mary, the mother of God,
“And Whereas, it is a
good and common practice to recognize the heritage of one’s city,
“Now
therefore, I, Robert Awerkamp, Mayor of St. Marys, Kansas, do proclaim Mary to
be the Patroness of St. Marys, Kansas.”

"Considerando que a Cidade de Santa Maria tem seu nome da Missão Católica
fundada pelos jesuítas em 1848,
"E considerando que o nome da missão e da cidade foi dado sob a
proteção de Maria, a Mãe de Deus,
"E considerando que é uma prática comum e boa reconhecer o patrimônio de
sua cidade,
"Agora, então, eu, Robert Awerkamp, Prefeito de Santa Maria, Kansas,
proclamo Maria como Padroeira de Santa Maria, Kansas."

Muito Bom!
Nossa Senhora recompense esse prefeito que honra publicamente essa tão boa Mãe!
O tempo dirá qual será a reação da ACLU: American Civil Liberties Union.

Lá, como cá...

... e no mundo inteiro.

Nos Estados Unidos tem repercutido bastante o caso de uma Paróquia em que se rezava a Missa de Sempre. O bispo que assumiu a diocese proibiu a Missa e agora quer impedir os fiéis de se ajoelharem durante o Cordeiro de Deus, antes da Comunhão. Veja aqui. O Padre da paróquia chegou a escrever que ajoelhar-se seria pecado grave. Um absurdo completo. Depois retratou-se dizendo que não tinha chegado a tanto. Todavia, uma mulher que fazia parte do conselho litúrgico foi demitida por continuar ajoelhando e também os coroinhas foram substituídos pelo mesmo motivo. Claro, quanto a Missas que são celebradas por Padres vestidos de palhaço, nada se faz. Quando é a Missa Antiga, proíbe-se. Enquanto católicos livremente apóiam o aborto, a pessoa e os coroinhas que se ajoelham no Cordeiro de Deus são expulsos de seus postos. Quanta coerência! Quanto zelo!
Também aqui em nossa cidade, Brasília, o Bispo proibiu que se ajoelhe para receber a comunhão. Já ouvi dizer que ele permite que se ajoelhe ao lado, separadamente, para receber a comunhão. De qualquer forma, uma paróquia em que 90% dos fiéis ajoelhavam-se no genuflexório, agora recebem a comunhão de pé. Para passar a receber também na mão, provavelmente, não irá demorar muito. Já houve caso semelhante na Argentina e quase certamente em muito outros lugares. O fiel argentino escreveu uma carta ao Vaticano e recebeu a resposta: não pode o Bispo proibir o fiel de receber a Santa Comunhão de joelhos. A carta, em espanhol, pode ser vista aqui ou aqui (02/11/2005).
Para que vos digneis conservar os Bispos na Santa Religião, nós te rogamos, ouvi-nos.

terça-feira, maio 30, 2006

Juazeiro do Norte, do Blog do Noblat

BLOG do NOBLAT

Juazeiro está sem governo

De O Estado de S.Paulo, hoje:

"A cidade de Juazeiro do Norte (CE), a 540 quilômetros de Fortaleza, está há quase uma semana sem governante. O prefeito Raimundo Macedo (PSDB) viajou juntamente com o vice, Andrey Salviano (PSDB), e o presidente da Câmara, José Amélia Júnior (PSDB), para o Vaticano. Foram ver o papa Bento XVI e pedir a reabilitação de padre Cícero Romão Batista, primeiro prefeito da cidade, que perdeu os direitos sacerdotais em 1889.

E a população não pode nem se queixar ao bispo, pois d. Fernando Panico é quem lidera a missão de cearenses. Até o governador Lúcio Alcântara (PSDB) foi junto."

domingo, maio 28, 2006

Papa Contra o Relativismo



O Papa em discurso muito bom na Polônia falou contra o relativismo modernista:


Muitos pregadores do Evangelho deram a vida precisamente por causa da fidelidade à verdade da palavra de Cristo. Deste modo, do cuidado da verdade nasceu a Tradição da Igreja. Como nos séculos passados, também hoje há pessoas ou ambientes que, descuidando desta Tradição de séculos, querem falsificar a palavra de Cristo e tirar do Evangelho as verdades que, segundo eles, são demasiado incômodas para o mundo moderno. Trata-se de dar a impressão de que tudo é relativo: inclusive as verdades de fé dependeriam da situação histórica e do juízo humano. Mas a Igreja não pode calar o Espírito da Verdade. Os sucessores dos apóstolos, junto com o Papa, são os responsáveis pela verdadedo Evangelho, e também todos os cristãos estão chamados a compartilhar esta responsabilidade, aceitando suas indicações autorizadas. Todo cristão está obrigado a confrontar continuamente suas próprias convicções com os ditames do Evangelho e da Tradição da Igreja em seu compromisso por permanecer fiel à palavra de Cristo, inclusive quando esta é exigente e humanamente difícil de compreender. Não temos de cair na tentação do relativismo ou da interpretação subjetiva e seletiva das Sagradas Escrituras. Só a verdade íntegra pode-no abrir à adesão a Cristo, morto e ressuscitado por nossa salvação.

quarta-feira, maio 24, 2006

Nossa Senhora Auxiliadora

Em alguns lugares se celebra hoje a Festa de Nossa Senhora Auxiliadora


Basílica Maria Ausiliatrice, Turim


Oração
Deus onipotente e misericordioso que, para defesa do povo cristão, concedestes perpétuo e admirável auxílio na pessoa da Virgem Maria, dai, propício, a graça de vencer na última hora o infernal inimigo àqueles que presentemente lutam sob tão grande patrocínio. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, maio 15, 2006

Postura e coisas muito importantes

Antes de tudo, quanto ao filme Código da Vinci, ver aqui a postura católica. Muito, mas muito importante é entender qual é a base da sociedade moderna e porque a Igreja se opõe à cosmovisão da modernidade, que é contra Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para um estudo dos problemas atuais, aconselho vivamente ver essa recomendação, com a pequena análise lá presente, do site Montfort (para ler as Encíclicas é preciso já ter uma noção de filosofia e teologia): Orientação para estudo da Doutrina Católica:


Os principais documentos que lhe recomendo ler contra o liberalismo são:

1) a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI, condenando os erros do liberalismo católico e do tradicionalismo do Padre Felicité de Lammenais, de Montalembert e de
Lacordaire.

2) a Encíclica Quanta Cura e o Syllabus de Pio IX.

3) a Encíclica Libertas Paestantissima e a Humanum Genus de Leão XIII. A Humanum Genus condena a ação da Maçonaria, que fez a Revolução Francesa e o Liberalismo.

4) a Carta Apostólica Notre Charge Apostolique de São Pio X contra os erros do Sillon. Este documento papal é muito importante, porque os erros do Sillon triunfaram com a chamada Democracia cristã, e constituem o liberalismo e o Modernismo na política atual.

5) a encíclica de Leão XIII contra o Americanismo, intitulada Testem Benevolentiae (Há um trabalho sobre Uma velha heresia perfeitamente atual: o Americanismo) a encíclica Mortalium Animos de Pio XI contra o liberalismo religioso expresso no ecumenismo modernista.

7) Evidentemente deveria ser estudada a encíclica Pascendi de São Pio X contra o Modernismo, que triunfou no Vaticano II.Várias dessa encíclicas você encontrará no site Montfort. Haveria muitos outros documentos papais a estudar como a Immortale Dei de Leão XIII e todos os documentos papais que tenham algum laço com o liberalismo.

quinta-feira, maio 11, 2006

A Ave Maria (parte II)

Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus

A Saudação Angélica recebe esse nome somente de sua primeira parte, dita pelo Arcanjo Gabriel. Essa segunda parte da Ave-Maria é composta pelas palavras ditas na Visitação de Nossa Senhora a sua Prima Santa Isabel.

Tendo acontecido a Anunciação e a Encarnação do Verbo, Maria foi visitar sua Prima Santa Isabel, a qual, conforme palavra do Anjo, havia concebido - miraculosamente - na velhice. E de que forma Maria foi visitar sua prima? O evangelista nos diz (São Lucas 1, 39):
Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.


Ora, Maria foi às pressas. Às pressas para fazer a caridade para com o próximo (Santo Afonso). Devemos ter certeza, então, que Maria sempre vem rapidamente em nosso socorro. Pena que muitas vezes não aceitamos esse socorro. Ao entrar na casa de Zacarias, Nossa Senhora saudou Isabel. Apenas ouviu a voz de Maria, Isabel, cheia do Espírito Santo, disse (São Lucas 1, 42) :
Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.


Nosso Senhor, obviamente, é o autor da Graça, mas Maria é o canal, aqueduto, conforme São Bernardo, por onde passam todas as graças. Fica claro, então, que Isabel ficou cheia do Espírito Santo pela intercessão de Maria Santíssima, após ouvir sua voz.

Muitos acham que a visitação foi somente uma obra de misericórdia corporal, a fim de ajudar na gravidez de Santa Isabel. Todavia, a visita foi muito mais do que isso. Foi uma torrente de graças para toda a família. A caridade de Maria Santíssima foi voltada principalmente para a santificação das almas dos membros da família. Essa obra espiritual é muito mais importantes que a material, e foi sobretudo essa obra mais excelsa que Nossa Senhora veio trazer para Santa Isabel e para seu filho, João Batista (São Lucas 1, 43-44):
Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.


São João Batista, por intermédio da saudação de Maria Santíssima foi santificado, o que se constata pelo estremecimento de alegria no seio de Santa Isabel. Maria veio, então, santificar aquele que deveria preceder o Senhor. Mais uma vez, por Maria, Nosso Senhor derramou a sua graça. É ela, irremediavelmente, o canal de TODAS as graças. Poderia ser de outra forma, mas Deus, na sua sabedoria infinita, assim o quis. Para sua maior glória e para o nosso bem.

Nas Sagradas Escrituras, tudo tem significado. Por qual motivo Santa Isabel primeiro enalteceu Maria e depois o seu Fruto, o Salvador? "Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre." É bom destacar que Santa Isabel estava cheia do Espírito Santo, tendo falado, portanto, algo bem perfeito e que nos é muito importante. São Luís de Montfort explica: para chegar mais perfeitamente a Cristo é preciso antes ir à Maria, assim como um pobre coitado não vai direto ao Rei oferecer uma simples maçã, mas antes a entrega à Rainha (mais acessível), para que ela limpe a maçã e a coloque na melhor bandeja que há, a fim de assim a mação ser aceitável ao Rei.

Os pobres somos nós, pecadores. A maçã são nossas boas ações. O Rei é Cristo, Deus. A Rainha é Maria Santíssima. Se oferecermos nossas ações diretamente a Deus, elas terão pouquíssimo valor, uma vez que estão em vaso corrompido, nós. Mas se a oferecemos a Deus por intermédio de Maria, nossas boas ações serão muito mais agradáveis aos olhos de Deus, porque ela é vaso honorífico, sem qualquer mácula e purifica nossas ações. Assim ocorre também com nossas orações. Maria é perfeitamente agradável a Deus.

Devemos, dessa forma, sermos humildes e utilizarmo-nos dessa graça imensa que nos deu Nosso Senhor: uma advogada, junto ao seu Filho. E assim como Nosso Senhor foi submisso a ela aqui na terra, ele também o é no céu: a vontade dela é perfeitamente igual e idêntica à vontade de Deus. Façamos como Santa Isabel, cheia do Espírito Santo: caminhemos a Cristo, por Maria.

Notícias Importantes

Algumas notícias recentes que merecem menção surgiram hoje. Primeiro, a legalização do aborto na Colômbia, cedendo às pressões das Organização Asassinas Mundiais (ONU, União Européia) e das Fundações para a Morte( a Federação Internacional de Planejamento Familiar, a Fundação Ford, Human Rights Watch, e outras). Ver a notícia também aqui. O aborto foi liberado em caso de estupro ou em caso de perigo de saúde da mãe.

Essa última hipótese é a deixa legal para passar muita coisa. Ouvi um caso (acho que na Inglaterra) em que a mãe queria abortar porque estava com dor nas costas. Alguém a convenceu a tomar um remédio em vez de abortar. Triste mundo. É assim que essas organizações e fundações querem construir a "civilização do amor." É assim que as mulheres "se valorizam" bastante. Matando seus filhos. Rezemos para Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina e intercessora dos não nascidos.


Merece destaque, também, o discurso do Papa, reafirmando, contra o Cardeal Martini e outros tantos liberais, como "sempre atual" a mais importante (única importante?) Encíclica de Paulo VI, Humanae Vitae, que diz: nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais. É um erro, por conseguinte, pensar que um ato conjugal, tornado voluntariamente infecundo, e por isso intrinsecamente desonesto, possa ser coonestado pelo conjunto de uma vida conjugal fecunda.

Viva o Papa!

terça-feira, maio 09, 2006

A Ave Maria (parte I)


Começaremos hoje a tratar, com a ajuda de São Tomás e com simplicidade, daquela que é a mais bela oração depois do Pai Nosso. Isso porque a oração foi, em certa medida, ditada diretamente pelo próprio Deus ao seu enviado, o Arcanjo Gabriel. É de uma riqueza imensa e profundíssima para a vida espiritual. Tão bela que a pessoa pode repeti-la mais de 150 vezes por dia durante a vida inteira. Sempre se terá algo para meditar sobre a Saudação Angélica, sobre as Glórias de Maria e sobre as perfeições de Deus.
Ave Maria, Cheia de Graça, o Senhor é convosco.

O primeiro elemento a ser considerado nesta oração é a dignidade de Maria Santíssima. Os Anjos aparecerem aos homens sempre foi, naturalmente, um acontecimento extraordinário. E também natural era que o homem reverenciasse o Anjo, já que este é superior. É por isso, nos diz São Tomás, que está escrito para o louvor de Abraão que ele recebeu os Anjos com hospitalidade (Gen 18). O Anjo é superior ao homem por três razões:
1) sendo de natureza espiritual, não é corruptível. O homem tem a natureza corruptível;
2) familiaridade com Deus. O Anjo está próximo de Deus como seu assistente, enquanto o homem é quase estranho a Deus, devido ao pecado;
3) finalmente, os anjos excedem os homens na plenitude da graça divina.
Dessa forma, não era conveniente que uma criatura não corruptível, com familiaridade com Deus e que tem maior plenitude da graça divina, saudasse outra que tem a natureza corruptível, está distante de Deus e que tem menor plenitude da graça divina.
Todavia, o Anjo saudou Nossa Senhora. Por que? Porque Nossa Senhora é maior que o Anjo.

1) primeiro, ela excede o Anjo na plenitude da graça divina. Aliás, a graça divina em Nossa Senhora é maior que em todos os Anjos. Por isso, o Anjo lhe disse: "cheia de graça". É como se dissesse: "Mostro-te reverência pois tu me excedes na plenitude da graça." A graça era tão abundante que ela evitou todo o pecado e fez o maior bem que uma criatura poderia fazer: trouxe o Redentor ao mundo.

2) em segundo lugar, a Santíssima Virgem excede os Anjos em familiaridade. Por isso, o Arcanjo Gabriel disse: " O Senhor é convosco", como se dissesse, "Reverencio-te porque estás mais próxima de Deus do que eu, porque o Senhor está contigo." Deus filho estava no seio da Sempre Virgem Mãe. Deus Espírito Santo O formou no seu ventre. Deus Pai a escolheu para ser Mãe temporal de seu Filho Eterno.

3) em terceiro lugar, Nossa Senhora excede os Anjos em pureza. Ela não somente é pura, mas obtém pureza para os outros. É puríssima quanto à culpa, pois nunca cometeu nenhum pecado, mortal ou venial. Maria, não tendo qualquer pecado, não sofeu as conseqüencias dele: concebeu sem corrupção, transportou em conforto e deu à luz o Salvador. Além disso, não se tornou pó, ou seja, não teve seu corpo corrompido. Morreu (para imitar seu Filho), ressuscitou e foi levada, por Ele, ao Céu.

Nossa Senhora tem mais graça divina que todos os anjos e santos juntos. As ações de uma pessoa têm o seu mérito medido a partir do amor a Deus. Quanto maior o amor, maior o mérito. Maria tem um amor a Deus incomparavelmente maior que o de todos os anjos e santos juntos. Assim, a mais singela ação de Nossa Senhora agrada mais a Deus que todas as santas ações desses servos de Deus. Quão grande é a dignidade da Bem Aventurada Sempre Virgem Maria. Está abaixo somente de Deus Nosso Senhor, que, claro, é infinitamente maior que sua humilde serva.
Rainha de todos os Santos, rogai por nós.
Rainha dos Anjos, rogai por nós.

sexta-feira, maio 05, 2006

Editorial

Editorial


Há algum tempo que venho lendo notícias que envolvem as Nações Unidas, a União Européia e algumas dessas ONGs famosas que existem. Hoje mesmo vi uma delas.

Tais organizações promovem os mais nefandos crimes. Não se fala aqui daqueles supostos crimes contra a "dignidade da pessoa humana", que tanto se ouve dizer. Fala-se aqui de crimes contra a dignidade infinita de Deus Nosso Senhor e contra sua Lei Eterna. Os crimes contra Deus é que verdadeiramente rebaixam a diginidade do homem, e, infinitamente mais importante que isso, ofendem a Deus.

A União Européia (UE), por exemplo, quer impor sanções aos países que não aceitam o dito "casamento" homossexual. A ONU igualmente milita para que todos os países aprovem leis favoráveis ao casamento dos homossexuais.

Como se não bastasse a promoção de tão horrendo crime, que valeu a destruição de Sodoma e Gomorra, essas mesmas organizações favorecem desenfreadamente o aborto de várias maneiras. Ano passado, quando tramitava o anteprojeto de lei do aborto aqui na nossa Câmara dos Deputados, ocorreu uma visita de deputados do parlamento europeu para ajudarem na aprovação de tal crime. Essa visita se estendeu aos demais países da américa latina, que possuem, com exceção de Cuba (alguém adivinha o motivo?), uma legislação restritiva ao aborto. Legislação que ainda é um certo resquício de nossa abençoada colonização pelos católicos portugueses e espanhóis. Infelizmente, a legislação desses países já aprova o aborto em alguns casos, como ocorre com o Brasil.

A ONG anistia internacional, que, em geral, trabalhada arduamente para soltar condenados realmente culpados, passa a militar, também, a favor do assassinato de inocentes. É uma inversão completa dos valores. Morte para os inocentes e liberdade para os culpados. É a confusão daqueles que abandonam a Deus. Perdem-se nas coisas mais óbvias.

E faz-se o aborto e legitima-se o homossexualismo com base nos ditos "direitos humanos". Com base na dita "dignidade humana". Utilizam os direitos humanos para imporem crimes. Que homem é digno, quando pratica atos contra a própria natureza, que nehum fruto trazem, mas somente moléstias? Atos torpes, e atos de extrema injustiça? No caso do aborto, diz-se que a mulher tem direito sobre o seu corpo. Mentira! O feto já é outro corpo, outro ser, um ser humano completo e indefeso, com todos os direitos, sobretudo à vida e a ser batizado. Em 1827 ficou definido que a vida tem início com a concepção, graças a Karl Ernest von Baer.

É incrível que uma simples lei possa determinar que um dado grupo de pessoas deva morrer (por nada ou para se fazer pesquisas eugênicas) ou que é lícito praticar atos contra a natureza. A isso já se assistiu quando a maioria elegeu Hitler. Ele exterminou um dado grupo de pessoas e quis chegar à raça perfeita.

Isso tudo é fruto do ilumisnismo-naturalismo maçônico, que gerou a revolução francesa e que trouxe consigo o positivismo jurídico. Fruto da denominada soberania popular. O Soberano não é mais Deus Nosso Senhor. O homem não mais segue os Dez Mandamentos. O homem não tem mais qualquer limite. Diz com o príncipe desse mundo: Não servirei. Agora, o homem é livre. Coitado do homem moderno. Na verdade, tornou-se escravo. Escravo do erro. Escravo da mentira. Age contra a própria consciência e contra a razão. Escravo de suas paixões. Somente a verdade liberta. Quando Deus está conosco, dominamos melhor o nosso próprio ser, conseguimos agir conforme a nossa consciência e conforme a reta razão.

O homem "livre": árbitro do seu próprio destino. Pensa o que quiser e faz o que quiser. Engraçado que o homem nem mesmo determina quando nasce ou quando morre. Mas ergueu-se, pelo naturalismo-iluminista, a deus. São seis bilhões de deuses. Precipita-se no abismo. Defendem as tartaruguinhas indefesas no Projeto Tamar, mas matam os bebês. Defendem a fauna e a flora, pobrezinhas! Sem piedade, cntudo, condenam o genêro humano à extinção. Sabe quem defendia o aborto nas sessões na Câmara dos Deputados? Os homossexuais. Trata-se de ódio ao ser. E o ser de qual todos os outros têm a sua origem e dependência é Deus: "Eu Sou Aquele que É"

Mas o povo é soberano. Aliás, sabe por que não continua a tramitação do aborto esse ano? Porque esse ano tem eleição e os nobres deputados não querem votar uma lei tão impopular. Mais de noventa por cento da população é contra o aborto. Mas, claro, quem manda é o povo soberano!

Soberano é Deus que nos ergeu à dignidade de sermos redimidos por seu próprio Filho. Não é o número que define o que é certo e o que é errado. Seguindo a Lei de Deus, o homem encontrará a sua verdadeira dignidade e a verdadeira liberdade. A liberdade dos filhos de Deus. Rezemos bastante. Para a conversão dos pecadores e pela perseverança dos justos. Confiemos sempre em Deus Nosso Senhor, recorrrendo à intercessão de sua Mãe Santíssima.

Nossa Senhora de Guadalupe, livrai-nos da maldição do aborto.

Imaculado Coração de Maria, livrai-nos das leis iníquas.

Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós.








São Pio V

São Pio V



5 de Maio. Festa de São Pio V no calendário tradicional.

Nasceu em 1504 na Lombardia. Novo, entrou nos Dominicanos, onde se singularizou por sua piedade e ciência. Criado Bispo, Cardeal, e, depois, eleito para o Supremo Pontificado, aplicou-se, como Papa, a pôr em prática o que prescrevera o Concílio de Trento, reformou o Breviário e o Missal, e viu com alegria as tropas cristãs alcançarem sobre os mulçumanos uma brilhante vitória, à hora em que, com todo o povo cristão, invocava Nossa Senhora do Rosário a favor delas.


Oração da Missa


Ó Deus que, para subjugar os inimigos da vossa Igreja e reparar a beleza do culto divino, Vos dignastes escolher o bem-aventurado Pio, vosso sumo pontífice, fazei com que, protegidos pelo seu auxílio, nos apliquemos de tal forma aos nossos deveres para convosco, que, depois, de triunfarmos de todas emboscadas dos nossos inimigos, saboreemos as delícias da eterna paz. Por N. S.


Texto e oração tirados do Missal de 1959.

quinta-feira, maio 04, 2006

Duas boas notícias



O Cardeal Alfonso López Trujillo, Presidente do Ponífício Conselho para a Família, rebateu veementemente o Cardeal Martini e disse que a Igreja “não pensa retroceder um milímetro” em sua política respeito ao preservativo e a prevenção da AIDS. Afirmou, também, que as posições de Martini “não passam de ser opiniões pessoais que não refletem a doutrina”. O Cardeal Trujillo deixa claro, então, que Martini é dissidente da doutrina católica. Isso não é coisa que acontece todo dia no mundo dos altos prelados da Igreja. Um Cardeal dizendo publicamente que o outro está em desacordo com a doutrina, e de forma tão direta? Total apoio ao Cardeal López Trujillo.

Ele manteve, ainda, que a única recomendação da Igreja frente à AIDS é a castidade e a fidelidade, que são moralmente aceitáveis e medicamente eficazes. Ah, e disse que não há qualquer instrução para estudo sobre esse assunto.

A outra boa notícia vem da firmeza do Papa Bento XVI ao condenar com excomunhão aqueles que participaram da Sagração Episcopal sem mandato da Santa Sé na Associação Católica Patriótica da China. Essa Associação é considerada a igreja oficial, controlada pelos comunistas para , enquanto a Igreja clandestina, dos verdadeiros católicos submissos ao Papa, é duramente perseguida pelo regime da República Popular.

Esse fato é bom porque demonstra a seriedade do Santo Padre em relação ao cumprimento do Código Canônico. Além diso, pode representar uma baixa para a Ostpolitik (tentar melhorar a relação com os comunistas) porque deixa de lado o diálogo infrutífero e leva em conta as palavras de Nosso Senhor: ensinar. A Verdade se ensina. Há muito tempo que o Vaticano vem dialogando com as autoridades chinesas e não chega a lugar nenhum.

A história da igreja oficial chinesa remonta a 1951 (me parece), quando alguns Bispos Católicos rejeitaram a autoridade do Papa (Pio XII) e se submeteram ao governo chinês. Os fiés foram forçados por todos os meios possíveis a aderirem à associação patriótica. Já dizia Pio XII sobre as finalidades dessa associação:

10. Sob o falso pretexto de patriotismo, com efeito, a associação quer
gradualmente levar os católicos a aderir e apoiar os princípios do materialismo
ateu, negador de Deus e de todos os princípios sobrenaturais.

11. Sob o pretexto de defender a paz, essa organização faz seus e difunde falsas suspeitas e acusações contra muitos eclesiásticos, contra pastores venerandos, contra a própria sede apostólica, atribuindo-lhes propósitos insanos de imperialismo,
de aquiescência e de cumplicidade na exploração dos povos, de hostilidade preconcebida contra a nação chinesa.



São Francisco Xavier, rogai pelos asiáticos.



terça-feira, maio 02, 2006

Obtendo frutos do Rosário



O texto que segue tem por base o livro o Segredo do Rosário de São Luís de Montfort, o Apóstolo de Nossa Senhora.

Onde estiver escrito Rosário pode-se ler Terço, conforme o que cada um reza. Muitos se perguntam a razão pela qual rezam o terço todo o dia ou com freqüência e não têm progresso espiritual. Em geral, porque não seguem as condições para rezá-lo com frutos.

A primeira e indispensável condição para obter frutos no Rosário e em qualquer oração é estar na graça de Deus ou no mínimo ter o desejo verdadeiro de se emendar, se estiver em estado de pecado mortal. Isto porque “o louvor não é belo na boca do pecador” (Eclesiástico 15, 9). Além disso, Nosso Senhor falou: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Marcos 7,6). Devemos exortar a todos para que rezem o Rosário: os justos para que possam perseverar e crescer na graça de Deus; os pecadores para que possam livrar-se da escravidão do pecado. Mas Deus nos proíbe de encorajar um pecador a pensar que Nossa Senhora irá protegê-lo com seu manto, se ele continuar a amar o pecado. Então, essa é a primeira condição: estar na graça de Deus ou ter o propósito de se emendar.

A segunda condição para que se obtenham os frutos do Rosário é a atenção. Não é a extensão da oração que agrada ao Deus Todo-Poderoso, mas a devoção com que se reza. Assim, uma Ave-Maria dita apropriadamente vale mais que 150 (um Rosário) ditas de qualquer maneira. Devemos rezar com toda a concentração porque Cristo ouve mais à voz do coração do que a voz da boca. Como esperar que Deus nos ouça, se nós mesmos não prestamos atenção no que estamos dizendo? As palavras de Jeremias 48, 10 são duras nesse ponto: “Maldito aquele que faz com negligência as obras do Senhor.” Claro que é impossível rezar um Rosário sem distrações involuntárias e é difícil dizer uma Ave-Maria sem que a imaginação incomode. O que se pode fazer, contudo, é não se entregar às distrações voluntariamente e tomar todas as precauções para diminuir as distrações involuntárias e controlar a imaginação.
A fim de diminuir as distrações lembremos sempre de oferecer a dezena em honra do mistério e enquanto oferecemos devemos tentar formar a imagem de Jesus e Maria em relação ao mistério. Uma pausa após o oferecimento do Mistério ajuda sobremaneira. Quando o Rosário é bem rezado ele dá a Jesus e Maria mais glória e é mais meritório para a alma que qualquer outra oração. Mas é também a oração mais difícil de se rezar e também a mais difícil em que perseverar, devido especialmente às distrações que quase inevitavelmente acompanham a constante repetição das mesmas palavras. Quanto às distrações que nos vierem à mente durante o Rosário, devemos tentar arduamente nos livrar delas assim que elas chegam. Lembremos que quanto mais difícil for rezar o Rosário, mais meritório ele será. Aquele que luta fielmente contra as menores distrações mesmo quando diz a menor oração, será também fiel nas coisas grandes. É Nosso Senhor que nos afirma isso: “Aquele que é fiel nas pequenas coisas será também fiel nas coisas grandes” (Lucas 16,10). Portanto, a regra é essa: 1) distrações voluntárias são ofensa a Deus Nosso Senhor; 2) distrações involuntárias devem ser evitadas, mas se elas persistirem mesmo contra o nosso esforço, maior mérito terá o Rosário.

Além disso, para que o Rosário dê frutos é preciso evitar evitar as duas maiores ciladas em que as pessoas que rezam o Rosário caem:
1) o perigo de não pedir por nenhuma graça. Assim, quando for rezá-lo lembre-se sempre de pedir por uma graça especial, como a ajuda de Deus para o cultivo de alguma virtude Cristã ou para superar um de seus pecados.
2) a segunda armadilha consiste em rezar o Rosário não tendo outra intenção a não ser rezá-lo o mais rápido possível. Isto ocorre porque muitos de nós enxergamos o Rosário como um peso, que é ainda maior se nós ainda não o rezamos. É triste ver como a maioria das pessoas reza o Santo Rosário: absurdamente rápido e resmungando, de forma que as palavras não são pronunciadas de forma apropriada. Nem mesmo a pessoa menos importante enxerga um discurso preguiçoso desse tipo como um cumprimento, mas esperamos que Jesus e Maria se alegrem com eles. Não é de se espantar, portanto, que as mais sagradas orações de nossa santa religião não tragam frutos e que depois de dizer milhares de Rosários nós ainda não estejamos melhores que antes. São Luís de Montfort, então, recomenda que se façam pausas da seguinte forma:

Pai Nosso que estais no +, santificado seja o Vosso nome +, venha a nós o Vosso reino + , seja feita a Vossa vontade, + assim na terra como no céu. + O pão nosso de cada dia + nos dai hoje, + perdoai-nos as nossas ofensas, + assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido, + e não nos deixeis cair em tentação, + mas livrai-nos do mal. Amem.
Ave-Maria, cheia de graça, + o Senhor é convosco, + bendita sois vós entre as mulheres, + bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. + Santa Maria, Mãe de Deus, + rogai por nós pecadores, agora + e na hora de nossa morte. Amem.

No começo podemos achar difícil fazer essas pausas por causa de nosso mau hábito de rezar às pressas. Todavia, uma dezena dita dessa forma valerá mais que milhares de Rosários ditos com rapidez, sem pausas e reflexões. Ao rezar o Rosário dessa forma, a alma fiel não deve se espantar se sentir uma grande aridez enquanto reza, não sentir qualquer consolação, uma vez que o Rosário ou o terço sendo a devoção que mais agrada a Cristo e a Maria (após a Santa Missa), é a que mais desagrada o demônio. Assim sendo, as tentações, a aridez, as dificuldades ao rezar o Rosário tendem a ser imensas para quem o reza verdadeiramente bem. Não devemos, todavia, desistir, mas perseverar, a fim de que nossos Rosários, dando glória a Jesus e a sua Mãe, humilhem o demônio.
Os Rosários ditos por nós terão um peso enorme no nosso julgamento. Apesar das contrariedades, não devemos desistir de uma só Ave-Maria, mas recitar o Rosário/terço, mesmo que não tenhamos qualquer consolação sensível. Façamos como Cristo que na agonia rezou ainda mais: “Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância”. (Lucas 22, 44)

Rezemos com grande confiança e, se der, com um grupo, tendo em vista as seguintes razões:

1) Nossas mentes ficam muito mais atentas, em geral, quando rezamos publicamente do que quando rezamos sozinhos.

2) Os fervorosos inspiram os mornos, os fortes sustentam os fracos. Quando rezamos em comum, a oração de cada um pertence a todos e forma uma grande oração conjunta, de forma que se alguém não está rezando bem, alguém que reza melhor supre a deficiência.

3) A recitação em grupo do Rosário/terço confere o mérito de tantos Rosários quantas são as pessoas no grupo. Se há cinco pessoas, cada um tem o mérito de cinco Rosários.

4) A oração pública tem muito mais poder que a oração privada para aplacar a ira de Deus e clamar por sua misericórdia.

5) Na oração pública do Rosário é um exército que ataca o demônio.

Rezemos o Rosário/terço a fim de que possamos nos emendar e viver na graça de Nosso Senhor.
Regina Sacratissimi Rosarii, ora pro nobis.

domingo, abril 30, 2006

Mãe da Igreja


O mês de maio, que se inicia hoje, é dedicado à Maria Santíssima. Durante o mês, então, trataremos das virtudes de Nossa Senhora, de suas perfeições e de algumas devoções a ela, destacando o Santo Rosário. Tudo isso com o intuito de nos tornarmos verdadeiros filhos dela.

São Luís de Montfort nos diz que é sinal infalível de condenação não ter devoção à Maria, enquanto afirma, por outro lado, que ter uma verdadeira devoção à Maria Santíssima é um sinal praticamente infalível de salvação.

Antes de tudo, então, devemos reconhecer Maria como nossa Mãe espiritual. Assim como Eva é nossa mãe pela carne, Maria é nossa Mãe espiritual. Os Santos Padres dizem que em duas ocasiões Maria tornou-se nossa Mãe espiritual.

Quanto à primeira ocasião, São Bernardino de Siena nos diz:

que quando na Anunciação a Santíssima Virgem deu o consentimento que era
esperado pelo Verbo Eterno antes de tornar-se seu Filho, ela, logo após, pediu
pela nossa salvação a Deus com intenso ardor e com um afinco tal que, a partir
daquele momento, como a mais amorosa mãe ela nos concebeu no seu ventre (Tr. de B. V. Serm. viii, tradução minha)

É por isso que São Lucas nos diz que Nossa Senhora "deu à luz seu primogênito" (Lc ii, 7). E os outros filhos? Obviamente, como é de fé, Maria não teve outros filhos segundo a carne, mas teve outros filhos espirituais. E nós somos esses filhos.

A segunda ocasião é aquela em que Nossa Senhora está ao pé da cruz, com incomparável firmeza, apesar de toda a sua dor e de todo o seu sofrimento (e não desfalencendo ou perdendo os sentidos como gostam de retratá-la):
João xix, 26-27

cum vidisset ergo Jesus matrem et discipulum stantem quem
diligebat dicit matri suæ mulier ecce filius tuus
deinde dicit discipulo
ecce mater tua et ex illa hora accepit eam discipulus in sua


Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava,
disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
Depois disse ao discípulo: Eis aí
tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
Nosso Senhor não diz o nome de São João, mas somente discípulo, que é um nome comum a todos os fiéis, a fim demonstar que ela é Mãe de todos.

Além disso, São Luís de Montfort argumenta com muita simplicidade e sabedoria sobre a maternidade espiritual de Maria: a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual o próprio Cristo é a Cabeça. Ora, se a cabeça nasceu de uma mulher, é necessário que os membros do corpo nasçam dessa mesma mulher. Por isso, todos os que pertencem ao Corpo Místico de Cristo, ou seja, à Igreja têm Maria Santíssima por Mãe.

O profeta Davi, apesar de Maria não ter ainda nascido, buscou a salvação de Deus entregando-se como filho dela:
"salvai o filho da vossa escrava" (Salmos lxxxv, 16)
"De que escrava?", pergunta Santo Agostinho; ele mesmo responde: "Daquela que disse Eis aqui a serva do Senhor." (Lucas i, 38. Santo Afonso, Glórias de Maria).

Quão maior deve ser, então, a nossa confiança em Maria Imaculada, sabendo que ela é nossa Mãe?

Ela mesma disse à Santa Brígida:

Assim como uma Mãe vendo o seu filho no meio dos inimigos faria qualquer
esforço para salvá-lo, também eu, e farei por todos os pecadores que buscarem a
minha misericórdia
(Santo Afonso, Glórias de Maria).

Da mesma forma que a criança chama a mãe quando está em perigo, também nós devemos chamar por Maria. Chamá-la sempre para nos proteger das tentações. Chamá-la sempre para alcançar a graça de Deus.

Façamos como Davi. Entreguemo-nos a Deus como filhos de Maria.


Ave Maria, Mater Ecclesiae, ora pro nobis.

sábado, abril 29, 2006

Doutrina da Igreja



Se os actos são intrinsecamente maus, uma intenção boa ou circunstâncias particulares podem atenuar a sua malícia, mas não suprimi-la: são actos «irremediavelmente» maus, que por si e em si mesmos não são ordenáveis a Deus e ao bem da pessoa: «Quanto aos actos que, por si mesmos, são pecados (cum iam opera ipsa peccata sunt) — escreve S. Agostinho — como o furto, a fornicação, a blasfémia ou outros actos semelhantes, quem ousaria afirmar que, realizando-os por boas razões (causis bonis), já não seriam pecados ou, conclusão ainda mais absurda, que seriam pecados justificados?».
Por isso, as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto «subjectivamente» honesto ou defensável como opção.
(Veritatis Splendor, n. 81)

sexta-feira, abril 28, 2006

Il Manifesto de un antipapa


Tem repercutido bastante uma entrevista em formato de diálogo entre o Cardeal Martini e o médico Ignazio Marino, publicada originalmente na revista italiana L'Espresso. Quando uma notícia sobre a Igreja repercute muito na mídia global, alguma coisa errada deve haver. Dessa vez não foi diferente.

Antes de tudo, vejamos quem são os personagens. O Cardeal Martini era o Arcebispo de Milão e atualmente está em Jerusalém, fazendo estudos bíblicos. O Cardeal Martini é progressista até a medula, merecendo destaque juntamente com o Cardeal Kasper e o Cardeal Daneels nesse quesito. Considerado Papabile no último conclave. O Doutor Ignazio é um médico da esquerda italiana que se diz católico ( ver Rorate Caeli). Nesse mesmo site, faz-se a relação existente entre esse diálogo e a vitória da coalizão centro-esquerda de Romano Prodi na Itália.

O diálogo, na verdade, seria uma cobrança da esquerda italiana - apoiada pelo progressista Cardeal Martini - objetivando a mudança da posição do Vaticano em algumas questões relacionadas à vida, ao aborto e à Aids, a fim de poder implementar a sua agenda sem maiores dificuldades. Além disso, quer dar a impressão aos católicos de que eles podem discordar dos ensinamentos da Igreja, fomentando, assim, uma espécie de anti-clericalismo. Do diálogo se destacam as afirmações do Cardeal de que a vida não começa imediatamente com a fecundação e que usar camisinha pode ser um mal menor quando um dos casados tem Aids.

A primeira afirmação qualquer um percebe que é absurda. Não faz muito tempo que a Pontifícia Academia para a Vida declarou em um documento: “il momento che segna l’inizio dell’esistenza di un nuovo essere umano è rappresentato dalla penetrazione dello spermatozoo nell’ovocita”. Há vida desde o momento da concepção, portanto.

O caso da camisinha é mais complexo, mas se resolve com um princípio muito simples: não se pode pecar para atingir um fim bom. O fim objetivado pelo Cardeal - a relação entre o casal - não pode ser atingido pela violação da lei natural, o que ocorre com o uso da camisinha, já que a relação se torna não unitiva. Lembrando que são duas as finalidades do casamento: a primeira é a procriativa, indispensável; a segunda, sempre conectada à primeira, é a unitiva. A camisinha impede que o ato matrimonial seja unitivo, isto é, torna-o anti-natural. Dessa forma, afirmar que é lícito usar camisinha quando a intenção não é a contracepção (mas a prevenção da doença) não tem fundamento. Não tem fundamento porque viola a lei natural, a finalidade unitiva. O ato matrimonial perde o seu sentido. Existem outros argumentos também, mas esse é o que destrói qualquer pretensão dos progressistas.

O Vaticanista Sandro Magister escreveu um artigo dizendo que muitas autoridades do Vaticano consideraram as palavras de Martini como "Manifesto de um anti-papa". Os lobos são muitos e uivam, quando percebem que estão sendo atacados. Alguns clérigos, infelizmente, apoiaram o Cardeal Martini. Rezemos pelo Papa para que, como Bom Pastor, não tema os lobos e defenda as suas ovelhas.

Até correram rumores de que um documento estaria para ser elaborado no Vaticano sobre o assunto e mudando a posição da Igreja. Pode ser que esteja mesmo, mas outras autoridades da Cúria Romana já garantiram que nada mudou na doutrina da Santa Sé. Já hoje o Papa publicou suas intenções para o mês de maio: que as instituições públicas dos países de missão defendam a vida desde a concepção até o seu fim natural (Zenit - francês). Será que a mídia vai publicar isso? Duvido é-o-dó.

quinta-feira, abril 27, 2006

Prefácio de Ratzinger


Está sendo apresentado hoje na Itália um livro sobre Liturgia com prefácio do então Cardeal Ratzinger. O livro intitulado Rivolti al Signori - Voltados para o Senhor - argumenta em favor da Missa celebrada ad orientem, quer dizer, em direção ao oriente. Voltados pra o oriente porque é do oriente que surge o Sol, a Luz do mundo, que é Nosso Senhor.
Antigamente, voltavam-se realmente para o oriente, tanto Padre quanto fiéis, olhando todos para Deus. Atualmente, ad orientem quer dizer simplesmente que Padre e povo olham para a mesma direção.
É muito comum ouvir que era um absurdo o Padre celebrar de "costas para o povo". O defeito nessa expressão é que o Padre não celebrava de costas para o povo, mas sim de frente para Deus, voltado para a cruz e para o sacrário. E o Padre conduzia o povo para Deus, dando o exemplo e seguindo na frente, mostrando que o foco é Cristo.
Quando se celebra a Missa olhando para o povo, a impressão que se tem é que o centro da liturgia é o homem. A partir disso surgem as aberrações: a liturgia passa a ser "faça você mesmo", ficando ao arbítrio do Padre ou ao arbítrio de uma "comissão litúrgica paroquial" formada por leigos. Todavia, é necessário entender que, sendo Deus o centro, não somos nós que determinamos como devemos adorá-Lo. É o próprio Deus que o determina. Isto pode ser visto nos sacrifícios da antiga lei, em que inúmeras e detalhadas regras eram prescristas. Imagina, então, quão maior deve ser o cuidado quando se está oferecendo o Corpo e Sangue de Deus. É por isso que as rubricas nos Missais devem ser rigorosamente seguidas. Assim, o Padre e os fiéis negam as suas preferências, reconhecendo, como São João Batista, que importa que Ele cresça e que nós diminuamos (Jo 3, 30). A Missa - mais importante ação litúrgica da Igreja - não é para nos agradar ou nos fazer sentir bem, mas para adorar, pedir perdão pelos pecados, pedir as graças para a nossa salvação e agradecer pelas recebidas. Devemos fazer como o Senhor nos manda.
Rivolti al Signore.
Voltados para o Senhor, rezemos para que Papa faça a reforma da reforma litúrgica e para que libere a Missa de Sempre para todos os Padres (hoje apenas pode ser rezada com a autorização do Bispo).

quarta-feira, abril 26, 2006

Blogs no Link

Só uma observação: os blogs que estão com o link aí do lado, em geral, são muito bons e falam coisas bem corretas, mas os comentários muitas vezes são bem errados, tanto para o liberalismo quanto para o fanatismo. É bom tomar cuidado com os comentários.